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Sobre Salalah

Salalah

Salalah é a maior cidade e capital da província de Zufar no Omã. A sua população é de 200 mil habitantes.

Localizado numa região do globo que se situa entre as esferas culturais do Médio Oriente e do Oceano Índico, em Oman cedo se desenvolveram grandes portos de comércio marítimo ligados a rotas comerciais que se estendiam entre a antiga Mesopotâmia (o atual Iraque), o Subcontinente Indiano e a África Oriental.

Mascate, a capital do Sultanato, encontra-se implantada num porto natural, na importante via marítima de acesso ao Estreito de Ormuz e ao Golfo Pérsico-Arábico, uma das mais importantes rotas comerciais da atualidade através da qual o petróleo dos estados do Golfo é diariamente exportado.

No início do III milénio a.C., a região norte de Oman é mencionada como Magan, a “montanha de cobre”, em textos cuneiformes sumérios descobertos em Ur, no sul do Iraque, sendo nesse período o cobre a sua principal exportação para as cidades-estado do sul da Mesopotâmia.

Idade de Ferro

Mais tarde, a partir da Idade do Ferro (c. 1250-300 a.C.), a produção de franco-incenso no sudoeste e sul da Península Arábica – a Arábia Felix dos Romanos, essencial no culto religioso e nos cerimoniais de corte do antigo Oriente, muito contribuiu para o desenvolvimento de grandes empórios comerciais, como Sumhuram, Zafar e Mascate, ao longo da orla costeira omanita.

Estes portos foram também grandes centros importadores e distribuidores de especiarias indianas e do sudeste asiático, como a noz-moscada, a pimenta e o cravinho, muito apreciadas no Mundo Mediterrânico desde a Antiguidade Romana.

Este tráfico marítimo de longa distância encontra-se bem descrito no documento denominado de Périplo do Mar Eritreu, provavelmente datado do século I d.C., e que inclui descrições detalhadas de rotas, portos e habitantes das regiões costeiras da Península Arábica, África Oriental e Subcontinente Indiano.

A prosperidade derivada deste comércio, que se intensifica a partir de 630 com a unificação islâmica da Península Arábica e o estabelecimento posterior de vastos impérios árabo-islâmicos, acaba por trazer Portugal ao Índico no final do século XV.

A importância estratégica do território omanita leva à conquista de Mascate por Afonso de Albuquerque em 1506, e ao estabelecimento de grandes praças fortificadas portuguesas controlando o acesso ao Estreito de Ormuz.

Século XVII

Entre meados do século XVII, altura da evacuação portuguesa da área, e o início do século XIX, são os omanitas que controlam o lucrativo tráfico marítimo entre o Golfo e a África Oriental, estabelecendo um império comercial entre Mogadisho e Cabo Delgado e que incluía os importantes portos de Mombasa e Zanzibar, este último lugar de residência do Sultão entre 1840-56.

Em 1820, o tratado assinado entre a Grã-Bretanha e os Estados Truciais (do inglês “Truce” = tratado de paz) do Golfo, reconhece o Sultanato de Mascate e Oman como o mais poderoso estado da região, com territórios na costa do atual Irão, Paquistão, Quénia e Zanzibar.

No entanto, a partir da segunda metade do século XIX, a expansão territorial ao longo da costa africana dos poderes coloniais europeus resulta num gradual declínio económico para Oman.

Hoje

Hoje, Oman é de novo um estado afluente, e embora possua uma infraestrutura muito moderna, mantém ainda vivas muitas das suas tradições árabes ancestrais, fruto de uma rica herança histórico-cultural; também é um estado politicamente estável e extremamente seguro.

O país possui também paisagens de uma enorme beleza natural, com uma longa linha de costa banhada pelas águas azul-turquesa e límpidas do Oceano, montanhas e grandes wadis que, com as suas fontes permanentes de água, oferecem refúgios férteis e possuem uma luxuriante natureza capaz de nos fazer lembrar o Paraíso.

Este périplo convida a uma viagem entre um passado histórico, preservado em sítios classificados pela UNESCO como Património da Humanidade, e um presente que se vive nas ruas e nos grandes bazares de Mascate, Nizwa e Salalah; nas suas gentes e costumes, na sua gastronomia e artesanato, ou ainda, nos estaleiros de dhows em Sur, onde o passado recente de Oman e de Portugal se cruzam.